Dengue
É uma doença infecciosa, febril e aguda que pode ser de
curso benigno ou grave. É uma das doenças mais frequentes no Brasil, com
cenários de transmissão endêmica/epidêmica. Em 2013 registrou a maior epidemia
da história do país.
Causada pelo Arbovírus do gênero Flavivírus, da família
Flaviviridae, onde são conhecidos 4 sorotipos. Chamado também de vírus da
Dengue (RNA). O principal vetor é o Aedes aegypti, havendo também o Aedes
albopictus. Transmitido pela picada da fêmea do mosquito infectado e o período
de transmissão varia de 4 a 10 dias, em média de 5 a 6 dias.
O período de transmissibilidade é dividido em intrínseco e
extrínseco. O período intrínseco ocorre no ser humano, ou seja, o mosquito
enquanto presença de vírus no sangue do humano, período do 1º dia antes dos
sintomas até o 6º dia da doença. O período extrínseco ocorre no vetor, após um
repasto de sangue infectado, o mosquito poderá transmitir o vírus após 8 a 12
dias de incubação extrínseca. Em seguida o mosquito permanece infectante até o
final da sua vida (6 a 8 semanas).
Os casos suspeitos de dengue incluem:
- Pessoa que resida ou que tenha viajado, nos últimos 15 dias, para área onde esteja ocorrendo transmissão de dengue ou tenha a presença de Aedes aegypti.
- Pessoa que apresente doença febril aguda com duração inferior a 7 dias, DUAS ou MAIS das seguintes manifestações clássicas: náusea, vômitos, exantema, mialgias, artralgia, cefaleia, dor retro-orbital, petéquias, prova do laço positiva e leucopenia.
- A criança proveniente ou residente de área com transmissão de dengue, com quadro febril agudo, sem foco de infecção aparente ou na ausência de sintomatologia respiratória.
Resumindo:
- Criança suspeita - Quadro febril, de 2 a 7 dias, sem infecção, área crítica.
- Adulto suspeito - Dois sintomas clássicos, área crítica e febre inferior a 7 dias;
- Suspeito com sinais de alarme - Defervescência da febre, 1 ou mais sinais de alarme;
- Suspeito grave - Choque, sangramento grave e comprometimento grave de órgãos, como fígado, coração, etc.
O caso suspeito de dengue com sinais de alarme é o caso que,
no período da defervescência da febre, apresenta um ou mais dos seguintes
sinais de alarme:
- Dor abdominal intensa e contínua, ou dor à palpação do abdome;
- Vômitos persistentes;
- Acúmulo de líquido (ascites, derrames pleural, derrame pericárdico);
- Sangramento de mucosa ou outra hemorragia;
- Letargia ou irritabilidade;
- Hipotensão postural e/ou lipotimia;
- Hepatomegalia maior que 2 cm;
- Aumento progressivo do hematócrito.
Os sinais de choque incluem:
Pressão diferencial convergente (PA diferencial <20
mmHg);
- Hipotensão arterial;
- Extremidades frias, cianose;
- Pulso rápido e fino;
- Enchimento capilar lento (>2 segundos).
A confirmação dos casos suspeitos pode ser realizada pela
sorologia (ELISA), que deve ser solicitada a partir do 6º dia de início dos
sintomas e pela detecção de antígenos virais (NS1, isolamento viral, RT-PCR e
imuno-histoquímica), que deve ser solicitados até o 5º dia do início dos
sintomas. Se positivos, confirmam o caso. Se negativos, uma nova amostra pra
sorologia IgM deve ser realizada para confirmação ou descarte. Outros exames
incluem hematócrito, hemoglobina, leucócitos, plaquetas e albumina.
Obs: Durante os
surtos, considera caso confirmado os casos notificados que não puderam ser
investigados, ou seja, considera que todos possuem vínculo
clínico-epidemiológico.
O caso é
descartado quando possui um ou mais dos critérios a seguir:
- Diagnóstico laboratorial negativo (sorologia IgM). Deve-se confirmar se as amostras foram coletadas no período adequado;
- Tenha diagnóstico laboratorial de outra entidade clínica;
- Seja um caso sem exame laboratorial, cujas investigações clínica e epidemiológica são compatíveis com outras doenças.
Atenção: O
sucesso do tratamento depende do reconhecimento precoce dos sinais de alarme e
o período de extravasamento plasmático e choque varia de 24 a 48 horas. As
manifestações hemorrágicas podem ser observadas em todas as apresentações
clínicas e constituem sinais de alarme. Podem evoluir para o choque sem
evidência de sangramento espontâneo ou prova do laço positiva.
A prova do
laço é obrigatória para TODOS OS CASOS SUSPEITOS DE DENGUE E QUE NÃO APRESENTE
SANGRAMENTO ESPONTÂNEO.
É realizado
através do cálculo da PAS + PAD / 2. Desinsuflar o manguito num quadrado com
2,5 cm. É positiva quando:
- Adulto - Tempo de 5 minutos aparecer > 20 petéquias;
- Criança - Tempo de 3 minutos aparecer >10 minutos.
Atentar
para o surgimento de possíveis petéquias em todo o braço, antebraço, dorso das
mãos e nos dedos. Se apresentar positiva antes do tempo, preconizada para
adultos e crianças, ela pode ser interrompida. Frequentemente pode ser negativa
em pessoas obesas e durante o choque.
O estadiamento clínico é realizado da seguinte maneira:
A - Tudo negativo -> Ambulatório;
B - Prova do laço positiva ou petéquias -> Observar e
aguardar exames;
C - Prova do laço positiva ou negativa com sinais de alarme
positivos -> Internação > 48h;
D - Prova do laço e sinais de alarmes positivos ou negativos
com choque positivo -> UTI.
As seguintes etapas devem ser seguidas na suspeita de
dengue:
- Pesquisar situações que aumentam o risco de evolução insatisfatória (comorbidades);
- Pesquisar sinais de alarme e de choque;
- Medir a pressão arterial em duas posições, frequência do pulso, temperatura e peso;
- Realizar a prova do laço;
- Se indicado, solicitar hemograma e plaquetas;
- Coletar sangue para sorologia e/ou isolamento viral;
- Notificar todo caso suspeito (semanal).
Atenção: A
dengue é uma doença dinâmica, ou seja, o paciente pode evoluir de fase
rapidamente. Os sinais de alarme e o agravamento do quadro clínico costumam
ocorrer na fase de remissão da febre (3º e 6º dia da doença). O tratamento é
relativamente simples e barato, mas é necessário o acompanhamento atento das
manifestações clínicas, sinais vitais e sinais de gravidade da doença.
A finalidade do hemograma é avaliar o hematócrito para
identificação de hemoconcentração, que indica provável alteração de permeabilidade
capilar, que define a necessidade de hidratação. Não há tratamento específico,
ou seja, ele é puramente sintomático ou preventivo de possíveis complicações.
Pode usar analgésicos e antitérmicos, com hidratação oral ou endovenosa. É
contraindicado o uso de salicilatos, anti-inflamatórios não-hormonais, como
cetoprofeno, ibuprofeno, diclofenaco, nimesulida e outros.
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