Hipertermia Maligna

Um dos eventos mais catastróficos que podem acontecer no período pós-operatório imediato é a hipertermia maligna, uma síndrome hipermetabólica. Embora muitos casos de hipertermia maligna ocorram na sala de cirurgia durante a administração de um anestésico geral, o período das 12 horas imediatas depois da anestesia geral também constitui um período crítico.

A hipertermia maligna pode ser deflagrada nos indivíduos suscetíveis pelos agentes anestésicos comumente empregados, incluindo a succinilcolina e os agentes inalatórios halogenados. Os outros agentes anestésicos são seguros para uso, incluindo o óxido nitroso, anestésicos locais, opioides, propofol, tiopental sódico e os relaxantes musculares não despolarizantes.

O mecanismo exato da hipertermia maligna não é bem compreendido. A pesquisa aponta para uma contração muscular desorganizada. Os agentes deflagradores conhecidos provocam uma liberação do cálcio dos sítios de armazenamento muscular, levando a uma concentração elevada de cálcio. Esse nível elevado de cálcio aumenta o metabolismo e faz com que o músculo se contraia e se torne rígido (rigidez do músculo masseter). Esse processo resulta em hipertermia, desequilíbrio acidobásico e clivagem das células musculares.


A hipertermia maligna é um distúrbio autossômico dominante herdado e raro da musculatura esquelética, e é mais prevalente naqueles com anormalidades musculares. A hipertermia maligna foi ligada a vários outros distúrbios musculares, inclusive algumas formas de distrofia muscular, mas não está claro se essa é a hipertermia maligna verdadeira. As manifestações clínicas incluem
  • Um aumento na temperatura de 0,5°C ou mais a cada 15 minutos, desde o momento da indução da anestesia, a um nível de até 46°C; 
  • Rigidez muscular; 
  • Hipercarbia; 
  • Taquicardia inexplicada; 
  • Sudorese e pressão arterial instável.
A rigidez do músculo masseter depois da administração da succinilcolina é o sinal de advertência mais precoce da hipertermia maligna. A elevação da temperatura é bastante dramática, mas não é o primeiro sinal de hipertermia maligna. Se a temperatura do paciente aumenta rapidamente, o anestésico não é interrompido e o tratamento rapidamente instituído, pode acontecer a morte.

A hipertermia maligna é vigorosamente tratada com dantroleno sódico (Dantrium), administração de oxigênio a 100%, correção dos distúrbios acidobásicos e remoção dos agentes deflagradores. São aplicadas medidas de resfriamento, como uso de cobertor de resfriamento, administração de líquidos frios IV e instilação de líquidos frios por sonda nasogástrica e cateter de Foley.

Administra-se o dantroleno sódico, 2,5 mg/kg IV, podendo ser repetido até 10 mg/kg, quando necessário, para controlar os sinais e sintomas. O dantroleno sódico é reconstituído com água destilada estéril. A administração de dantroleno é um trabalho intensivo, exigindo assim assistência.

Depois da fase aguda da crise de hipertermia maligna, o cuidado inclui a observação na unidade de terapia intensiva por um mínimo de 24 horas e a administração do dantroleno sódico, 1 mg/kg, a cada 6 horas, por 24 a 48 horas. A seguir, o dantroleno oral pode ser utilizado com monitoração da gasometria arterial, creatinina cinase, potássio, cálcio, urina, mioglobina sérica e exames de coagulação a cada 6 horas. 

Bons estudos!
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